terça-feira, 1 de março de 2011

Filhote


- Acho que já revisei esse texto inúmeras vezes, desde quando descobri que ia ser "Pai" 25/06/2010 eu comecei a pensar em escrever algo e desde então pude ler, ouvir e ver inúmeras coisas! E é impressionante como quase tudo, para não dizer tudo, na vida de um homem muda após uma notícia dessa magnitude. 


Cômico ou não, o hilário é que jamais me coloquei em posição de ser pai, aliás sempre utilizava-me da nossa velha e boa fábula do "nunca", fábula porque sempre que utilizamos este advérbio para expressar alguma vontade, medo, anseio, desejo é como se disséssemos intrinsecamente a nós mesmos uma mentira, uma ficção!  Até hoje 01/03/2011 não é algo que posso dizer que é fácil de entender e aceitar. É uma mistura de inúmeros sentimentos com inúmeros receios e medos!! Acho que todo PAI que se preze ao receber a notícia que será pai, faz aquela VELHA pergunta a si mesmo:
"Pai?! Fudeu!!! E agora?"
Se a paternidade nos dias atuais pudesse ser resumida ou mesmo transcrita em apenas uma frase, ela seria: "Sim, querida!" Parece, piada de mal gosto!!! =) Mas foi exatamente assim que a primeira vez que à ouvi, pensei. Hoje, já vejo que ela é bem verdadeira. Veja que ao longo dessa eternidade desses 10 meses, a mulher passa por mudanças fisiológicas, psíquicas, hormonais intensas. Muitas vezes parecendo uma pessoa com transtorno de personalidade "Bipolar" as mudanças são tão abruptas e por muitas vezes involuntárias. Inúmeras vezes me questionei, isso realmente está certo? Embora tudo era caracterizado pelo momento a qual ela estava vivendo, o modo dela sentir e de exteriorizar todos aqueles sentimentos, horas ela estava obsessiva compulsiva, daí a pouco, histriónica, mais um pouco, anti-social, esquiva, dependente, carente... ahhhhh já fiquei louco... =)


Felizmente isso me fez ama-la ainda mais do que já a amo, porque mesmo diante de cada demonstração histérica, às vezes, eu percebia seu amor e seu carinho, quando me pedia desculpas ou mesmo ficava calada fazendo cafuné (raras as vezes quando ficava calada). É mas não é fácil não, são muitas mudanças que acontecem ali dentro e aí só sendo uma mulher para explicar. :D Logo, não tenho proficiência para tal :P

O casamento também passa por muitos questionamentos. O nascimento do tão esperado neném impõe uma nova realidade para a vida conjugal e no geral, o homem sente que está perdendo lugar para a criança, o que é normal até certo ponto. A preocupação com as finanças, com o futuro da criança, são tantas coisas que passam pela cabeça que é difícil de ser coerente ou claro nessas circunstâncias... rs É notório e diria que até muito imprecionante como nossa sociedade e nossa cultura influência nesse aspecto, sinto-me e cobro-me muito mais para oferecer a minha família uma casa, uma moradia digna a cada dia que passa além de educação, saúde enfim condições melhores de vida!!! A preocupação simplismente triplica. Foram inúmeras noites mal dormidas pensando em como melhorar o padrão de vida, em como ganhar mais, o que vou estudar agora, o que farei da minha carreira, qual é a melhor pós-graduação para ser mais bem cotado no mercado de trabalho... Até mesmo a perda do libido é ocasionada por toda essa "masturbação mental" embora essa parte seja mais cobrada por minha esposa =) Com tantas preocupações, medos, anseios, necessidades era difícil ter libido por algumas vezes. Mas isso não vem ao caso... :P


Mas vamos aos fatos aconteceu enquanto dormíamos. Ela foi ao banheiro e voltou e pegou no meu pé com aquelas mãos geladas. Primeiro, que estava brincando. Até que percebi que não, era contração após contração! É difícil descrever o que se passa na cabeça de um homem nessa hora. Lembro-me de tentar manter a calma. Uma tranqüilidade, obviamente e literalmente apenas de fachada. Enquanto minha esposa trocava de roupa, tentei mandar umas SMS para os mais próximos para dar a notícia. Nunca foi tão difícil digitar oito números no teclado de um telefone de forma concatenada e concentrada. Resultado: das sete ou oito mensagens que pretendia enviar, devo ter conseguido realizar no máximo quatro.






No hospital, ao sabermos que o parto seria naquele mesmo dia, o frenesi aumentou. Mal conseguia entender o que estava escrito nos papéis que me davam para assinar e olha que eu tentava ler tudo para não assinar nada depois que pudesse me arrepender. Já na sala de espera, não sabia o que fazer para conter a inquietação, já estava cansado de tomar coca-cola, café e andar pelo hospital todo. Os instantes que antecedem o parto parecem intermináveis, parecia maior que a espera de 10 meses. Uma tortura angustiante para qualquer pai, principalmente os de primeira viagem. E senti muito pela dor que ela sentia, com as contrações e seus gestos horas gritos e sei que ela não move um músculo se realmente não estiver doendo, aquilo me consumia, me sentia incapaz, queria ajudar mas o que poderia fazer? Só abraçar o Alex e ele me consolava para mim foi o pior dos piores momentos, poderia até arriscar em dizer que sentia sua dor, definitivamente não quero isso para ela nunca mais. O mais engraçado é que você mesmo não percebe o seu próprio nervosismo até alguém o avisar. No meu caso, o alerta veio da enfermeira, certamente acostumada com aquela cena, mas mesmo assim  ela disse: “Assim o senhor jovem vai furar o chão”.


Tudo isso, porém, era só o prenúncio do que estava por vir. No momento do nascimento do Alberto Kauã, respirei fundo e apertei a mão da minha mulher com força. O choro do recém-nascido provoca uma profunda e explosiva confusão sensorial. Nem sei como as fotografias que tirei do parto saíram. A única certeza que tive era a de que dali para a frente minha vida não seria mais a mesma. Afinal, tornara-me "oficialmente" pai. 

O primeiro filho, de fato, assusta. Gera uma mistura de alegria e medo. Mas é importante é que o homem deixe fluir a emoção da paternidade e saiba que existem maneiras de vivenciá-la plenamente. O primeiro passo é saber como contribuir para o desenvolvimento do bebê em cada uma de suas etapas, aliás etapas essas que agora são "eternas", da gravidez aos primeiros meses de vida, a adolescência, namoro, noivado, casamento, filhos.... Nossa melhor parar de pensar.... Como diz minha mãe até hoje para mim "meu fru-fru neném"!!

Pose

Engenheiros do Hawaii



Vamos passear depois do tiroteio
Vamos dançar num cemitério de automóveis
Colher as flores que nascerem no asfalto
Vamos todo mundo... tudo que se possa imaginar

Vamos duvidar de tudo que é certo
Vamos namorar à luz do pólo petroquímico
Voltar pra casa num navio fantasma
Vamos todo mundo... ninguém pode faltar

Se faltar calor, a gente esquenta
Se ficar pequeno, a gente aumenta



E se não for possível, a gente tenta 
Vamos velejar no mar de lama
Se faltar o vento, a gente inventa 
Vamos remar contra a corrente
Desafinar do coro dos contentes 

Vamos velejar no mar de lama
Se faltar o vento, a gente inventa 
Vamos remar contra a corrente
Desafinar do coro dos contentes 


Música que embalou todo esse mar de sentimentos que "Alberto Kauã" propiciou-nos!